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sexta-feira, 13 de março de 2015

O CATIVEIRO HEBREU - UM NOTÁVEL PARALELO COM O BRASIL ATUAL

A família de Abrahão: "retirantes" do deus único
Devo começar este texto com uma pergunta: “-Quem foi que levou realmente os hebreus para a Terra Prometida?”
Provavelmente 99% das pessoas que pensam ter uma resposta para isto, diriam que foi Moisés quem conduziu os hebreus para a Terra Prometida, afinal o autor do Pentateuco é por demais marcante e influente na história hebraica. Porém, nesta resposta haveria um erro de avaliação. Moisés apenas completaria um trabalho junto ao povo de Deus, iniciado séculos antes pelo Pai de Todos, Abrahão, cuja família deixou a Mesopotâmia que um dia fora o próprio paraíso terreal, mas então já profundamente entregue às idolatrias e outras divisões sociais deixando a nação suscetível aos opressores.

Vamos tentar avaliar os acontecimentos políticos que cercam a este duplo-êxodo.
Quando Abrahão chegou na Palestina, pactuou com o rei Melquisedec que o reconheceu entre os seus e a região passou a ser uma Terra Prometida para os hebreus. Mais tarde viria porém uma seca e as tribos vizinhas mostraram hostilidades, levando os hebreus a se refugiarem no Egito. Instabilidades no governo do Egito permitiram a penetração de alguns povos na região do delta, como os hicsos e os hebreus, ambos fugindo das secas.
Ora, o Egito, nação poderosa, via a Palestina como uma zona estratégica que fazia questão de controlar para explorar, por ser ademais um corredor natural de migrações. Por isto tratava de fazer alianças com os filisteus e outros povos da região, visando ter-lhes como aliados e para fortalecê-los. Não era do seu interesse, porém, a presença dos hebreus ali, aos quais preferiam ter por perto, com sua crença nacionalista num deus único. No delta, os hebreus serviriam aos egípcios de várias maneiras, estando sob os seus olhos.
Mais tarde, quando Moisés quis reconduzir os hebreus de volta para a Palestina, encontrou esta dupla resistência do faraó, que não queria perder seus servos e nem queria que eles retornassem para a Palestina onde poderiam “desestabilizar” a região.
Aí entra os mistérios do poder de Deus através de Moisés, que terminaram abalando as resistências do Egito, embora ainda produzissem a megacena da travessia do Mar Vermelho. 

O retorno do povo hebreu foi cheio de percalços. Houve rebeliões e guerras intestinas. Sabia-se que a vida na Palestina seria dura, e com muitas lutas para afirmar a nova nação de Deus, mas Moisés sabia que Deus precisava de uma nação valorosa. Em função disto ocorre a postergação de chegada imediata à Terra Prometida, atrasada em nada menos que 40 anos a fim de preparar uma nova geração para esta conquista. Nisto temos a importância da educação, uma nova geração criada com este propósito já não esmoreceria em seus intentos.
Os hebreus teriam que lutar contra os novos aliados do Egito na Palestina. A situação mudara muito desde que Abrahão pactuara a região com Melquisedec, mas os hebreus não desistiram da sua região, embora muitos preferissem realmente permanecer sob os comodismos do Egito com seu culto aburguesado da “vaca de ouro”.

Resumindo então:
a. A família de Abrahão saiu de uma Mesopotâmia decadente buscando uma nova terra para restaurar a verdade do Deus Uno (ou Unificador, como preferimos ver).
b. Na Palestina, Abrahão fez alianças com o rei-sacerdote Melquisedec que reconheceu os hebreus como nação-irmã bem vinda à região. Contudo, passadas algumas décadas a seca se fez presente e cresceram as hostilidades das tribos locais.
c. Os egípcios divididos ofereceram guarida aos hebreus e outros povos visando tirá-los da Palestina e tê-los a seu serviço.
d. O príncipe Moisés sensibiliza-se pela nobreza da história hebraica e passa a trabalhar para levar o Povo Eleito de volta para a sua Terra Prometida. Ele mesmo seria na verdade um hebreu.
e. Na busca deste intento, Moisés encontra toda sorte de dificuldades. Deus o acode através das Sete Pragas, ainda assim deve mantém o povo por 40 anos no deserto a fim de prepará-lo para a árdua missão que lhe espera de reconquistar a Terra Prometida, ante diferentes lutas-de-livramento na saída e na chegada.


Um paralelo brasileiro

Temos no Brasil atual um cenário não muito diferente disto, onde ambas as situações contribuem para o seu mútuo esclarecimento.
O Brasil também é uma nação em êxodo histórico, uma vez que seu curso evolui organizando e ocupando oficialmente novos territórios internos, inclusive transladando as suas Capitais Federais visando consolidar as suas novas etapas sociais sem maior necessidade de conflito por haver estas novas terras a disposição.

Contudo, a certa altura aconteceu um certo bloqueio nesta dinâmica. Não que a Capital não mudara, de fato isto aconteceu através de Brasília, porém logo na sequencia um Golpe-de-Estado susteve os fluxos sociais e econômicos naturais para as novas regiões, retendo as energias na região anterior ou no Sudeste, tornando-a inflada a ponto de suas megalópoles agonizarem na atualidade.



No começo dos anos 60, a nova civilização brasileira dava o seu mais notável passo através da criação de Brasília. O governo de Juscelino Kubitschek mobilizou amplos contingentes humanos a fim de dar cabo a esta obra muitas vezes monumental no exíguo espaço do seu mandato, sabendo que após ele as coisas poderiam tomar um outro curso.
Seu gesto tem sido comparado nisto ao do faraó visionário Akenaton que criou uma nova cidade para o culto do Sol único que desejava resgatar, porém também mereceria ser comparado com os gestos daquele que foi contemporâneo deste faraó, o próprio patriarca Abrahão em seu idêntico resgate do monoteísmo. 

Neste ato de Kubitschek ocorreria, pois, a clara demonstração da intenção de avanço para os interiores dos territórios. E no entanto, aquilo que ocorreu é que a Ditadura –não podendo reverter este enorme passo cultural- tratou de dar outro significado para Brasília, que deixa assim de ser o centro da nova etapa da civilização nacional para virar uma simples ilha de corrupção, com seus políticos lá encastelados movidos a suborno endêmico.
O Sudeste –a região burguesa por excelência da nação- passou a inchar e inchar. Os nordestinos, cuja região tem sido vítima da “indústria da seca” (desvio sistemático dos recursos anti-seca por parte da política local de coronelato latifundiário), viram-se forçados a acorrer a este novo e fértil “Egito” sudestino, onde encontraram nesta burguesia florescente os seus novos amos.

Como a região mais antiga do país, o Nordeste -a região fundadora da nação, grande base do proletariado do país- foi vendo a sua riqueza de depauperar sob o aumento da sua população e através da exploração comercial intensiva das suas terras pelos latifúndios e as monoculturas. Em função disto, desde a época do Império os nordestinos buscam migrar procurando oportunidades de trabalho.
Eles sustentaram os ciclos da borracha na Amazônia e os ciclos industriais no Sudeste, além de terra participado em massa para a construção de Brasília, cidade na qual não acharam é claro ainda um lar, embora tenham se alojado nas cidades satélites, hoje graves focos de problemas sociais.



Qual seria então o seu destino natural? A criação da nova capital seria seguida pela leva de amplos contingentes humanos, especialmente do Nordeste como uma das regiões mais populosas -e também pobres- do país. Como acontece com os processos migratórios oficiais, o migrante tem direito a um quinhão de terra para trabalhar e produzir. Neste caso, o migrante já não se moverá apenas em busca de trabalho e sobrevivência, mas de patrimônio e completa cidadania. Era de interesse dos governos nacionalistas nos anos 60 que a nação se expandisse para os interiores para que surgisse uma nova classe de pessoas autônomas na região, sobre a base das amplas terras inexploradas ali existentes. O presidente João Goulart buscou dar início à reforma agrária no Brasil, e foi derrubado por causa disto.
Contudo, com o cerceamento da expansão nacional em seu foco industrializado no Sudeste, os fluxos migratórios foram indevidamente desviados, sujeitando toda a lógica demográfica e social aos interesses econômicos.
Hoje, estas amplas terras do Centro-Oeste que seriam por destino do povo brasileiro, em especial dos próprios nordestinos, são usadas até o esgotamento pelas monoculturas praticadas por latifundiários vindos das regiões mais ricas, Sul e Sudeste.

Contudo, este débito social do Brasil necessita ser resolvido com urgência, afinal as cidades inchadas do Sudeste estão em estado-de-explosão populacional por já não oferecem condições básicas para tanta gente.
E não há melhor forma para saldar tal débito que reconduzir estes contingentes ao seu destino natural. Talvez o desafio da reforma agrária seja ainda impraticável, porém estas populações ainda podem se dirigir de toda maneira para aquela região empregando as cidades, a fim de aos poucos ir reconquistando os seus espaços, também sob uma nova mentalidade sustentável e –como toca à esta camada social destinada ao Centro-Oeste- fraternalista ou social.

O Brasil necessita retomar o seu fluxo natural, pois isto faz parte da construção d sua civilização. Que o povo brasileiro possa, enfim, ter o seu regresso seguro ao lar!




Ó Brasileiro !

Que grande nação o Destino te deu!
Que enorme riqueza te cabe por direito.
E de que imensa espoliação tu tens sido vítima!

Tuas riquezas são desviadas para os mais infames destinos.
Nem cabe nomeá-los aqui, tal a sua ignobilidade
Com os quais jamais consentirias...

Como gado tens sido reduzido ao curral
Para que as riquezas que te cabem e a teus filhos
sejam levadas para todo lado e enriqueça

os bolsos dos mais torpes dos torpes
dentro e fora desta nação abençoada por Deus e pela Natureza
porém amaldiçoada pelos homens ignaros e predadores.

A ti desejo apenas que rompas este redil
E te espalhes por todo este país como cabe
Cuidando para que aquilo que te toca seja preservado

Enquanto ainda resta algo para cuidar,
Porque a mão do ladrão nunca é generosa
O boi só engorda sob o olho do dono.


Para saber mais:
"O Brasil é um rio que flui"
“A Chapada se prepara para receber os refugiados do clima”

"De porque estamos perdendo o paraíso e o próprio planeta. As novas oportunidades que também surgem na crise”


Luís A. W. Salvi é escritor holístico, autor de cerca de 150 obras sobre a transição planetária.
Editorial Agartha: www.agartha.com.br
Contatos: webersalvi@yahoo.combr, Fone (51) 9861-5178

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