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quarta-feira, 10 de maio de 2017

O Setentrionismo na Teosofia: desvio ou realidade?

Teria a Teosofia nascido num período de evolução setentrional natural do mundo, ou será  que as ideias teosóficas foram influenciadas pelo setentrionismo ideológico? Eis uma pergunta que não pode calar.
Ao lado das suas três proposições básicas –formar um núcleo da fraternidade humana, estudar os textos sagrados e pesquisar os poderes secretos do homem e da Natureza-, duas coisas sobretudo afamaram a doutrina teosófica: a ideia dos Mahatmas e a questão das raças-raízes. E é nesta última que se acham alguns dos fatores mais polêmicos da moderna teosofia, em função de tudo o que envolve a ideia de “raça”.
Talvez tenha passado amplamente desapercebido, que uma das razões do enorme sucesso da Teosofia, se devesse justamente ao caráter essencialmente setentrionismo da sua doutrina. Quer dizer: as pessoas estavam celebrando uma filosofia que lhes dizia que o seu próprio tempo e lugar estavam na crista da evolução do mundo... 
Não obstante, apesar dos esforços por formular e organizar os ciclos do mundo e da humanidade, através de uma autodefinida “Astrologia Esotérica”, é público e notório que a Teosofia jamais forneceu uma astrologia realmente palpável, científica e tradicional ao mundo. Ainda assim, suas concepções vagas e confusas serviram aos propósitos imediatos da instituição, de exaltar o setentrionismo. Afinal, aquilo que estava claro ali, é que o Norte ainda carregaria longamente o facho da evolução do mundo. Outras regiões tiveram ou ainda teriam a sua vez, mas por muito tempo ainda –na verdade, um tempo quase atemporal das ideias teosóficas-, o Norte ainda seria o seu porta-voz.

Para sustentar estas posições, a Teosofia teve nada menos do que... contestar frontalmente a Ciência, naquilo que diz respeito à evolução humana. Antropologia e paleontologia foram indiscriminadamente misturadas, resultando num misticismo que mais afasta do que aproxima o grande objetivo sintético da Sociedade Teosófica de “promover a síntese entre ciência, religião e filosofia.” O estreitamento com as religiões do Oriente emprestava um certo álibi setentrionista, mesmo porque também ali as concepções astrológicas costumam ser vagas, sobretudo no hinduísmo e no budismo.

Na verdade, em quase toda parte a imprecisão dos ciclos tradicionais é hoje mais regra que exceção, e a neo-teosofista Alice A. Bailey assume isto como uma fatalidade, ou uma necessidade por “medida de segurança”. Através de uma grande síntese de informações, contando também com os recursos da Ciência, é possível alcançar porém um panorama bem diferente das coisas.

Afinal, a escora dos ciclos védicos não se sustenta de todo, e o próprio “Glossário Teosófico” (em boa parte organizado após H.P.Blavatsky) acabou trazendo chaves para os ciclos tradicionais e -estes sim- científicos. Se resgata daí o baluarte do Grande Ano de Platão e seus hemiciclos, chamados corretamente pelo astro-mundialista Andre Barbault de “o dogma máximo da astrologia”. E com isto se teria uma aproximação entre as ideias de raças e de rondas mundiais.* 
Também seria possível apelar para os importantes ciclos de cinco mil anos, buscando avaliar a evolução espiritual da própria raça árya, ciclo este que estaria em plena transição na atualidade, já que maias e hindus definiram o seu começo há cinco mil anos. Aqui, começamos a tratar o tema em termos de cultura, isto é, antropologia, mas ainda relativamente ligadas às raças e seus continentes.
 Ora, as caraterísticas mais pontuais da civilização árya (como é a Civilização) não excedem este período de cinco mil anos, na chamada “Idade dos Metais” da Ciência. E o mesmo se pode dizer no tocante à raça atlante, como cultura da religião e da agricultura, no chamado Neolítico da Ciência. E assim se poderia prosseguir, apesar das mudanças anteriores serem cada vez mais sutis e subjetivas. Então, se a “raça” possui cinco mil anos, os subciclos áryos já se encontram esgotados, e a nova raça raiz, anunciada para todas as Américas, também se acha vigente.
Raças ou culturas étnicas?
Deste modo, em nenhuma hipótese toca protelar a evolução meridional na Nova Era; sob a suspeição de portar um colonialismo sutilNa melhor das hipóteses, o setentrionismo foi extremamente exagerado na Teosofia de Blavatsky e seus seguidores. Por isto, caberia discordar da afirmação de Alice A. Bailey de que “a astrologia esotérica representa na atualidade a mais pura manifestação da verdade esotérica”. Mesmo porque, tampouco Bailey fez grandes esforços para ajustar as coisas, pelo contrário, o eurocentrismo chega por vezes quase a recrudescer ali...
O marco de Itaparica, Eubiose
De forma algo providencial, cedo começaram os esforços para se criar uma teosofia meridional e brasileira, através daquela entidade atualmente conhecida como Sociedade Brasileira de Eubiose. Infelizmente, a Eubiose tampouco realizou esforços objetivos no campo da astrologia esotérica, mas trouxe uma nota mais local ao enfatizar a Geografia sagrada, mesmo que amplamente envolta em mitos ainda, que fora amplamente ignorada na “teosofia original”, fora das formulações sobre “raças-raízes”. Naturalmente, o “sucesso” social no país da Eubiose se deve basicamente ao mesmo umbilicalismo que afamara anteriormente a Teosofia, desta vez focalizada no Sul (Brasil). Atualmente é a Escola Agartha que assume este bastão, para auxiliar o processo vigente da transição planetária.

Afinal, este Sétimo Continente que é a América do Sul, está destinado a sediar a Era de Aquário; como afirmam sábios como Serge Raynayud de la Ferrière e a mensageira Elizabet Clare Prophet. O Martinismo, espécie de teosofia francesa, também decidiu investir neste Meridionismo. E a ciência da Geosofia, a Geografia sagrada, representa a doutrina-mãe para credenciar esta manifestação final da luz na Terra. 

* Pois se as raças-raízes possuem 12 mil anos (contra o mito teosófico de um milhão de anos), isto nos lança ao começo da evolução superior do homem há 50 mil anos (segundo os dados da Ciência), por estarmos “no final da quinta raça-raiz.” O começo destes hemiciclos se daria em Câncer e Capricórnio (“porta dos homens” e “porta dos deuses”), de modo que rumamos para uma renovação, e toda a Era de Aquário pode ser considerada como transição. Surge então a questão das sub-raças, naturalmente atreladas às eras e aos milênios do Ano cósmico. Os últimos milênios da raça ou da ronda atual, estariam atrelados às “sub-raças sintetizadoras” (cf. Bailey) da raça árya. E se uma sub-raça equivale a uma Era, Aquário já corresponderá ao subcontinente americano setenário que é o meridional. 

Luís A. W. Salvi é filósofo holístico e autor polígrafo com cerca de 140 obras, e na última década vem se dedicando especialmente à organização da "Sociologia do Novo Mundo" voltada para a construção sócio-cultural das Américas.

Contatos: webersalvi@yahoo.com.br 
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Editorial Agartha: www.agartha.com.br

sexta-feira, 25 de março de 2016

Argentina – uma bussola política do subcontinente

A xenofobia facilmente nos cega a razão, especialmente quando se trata do vizinho mais importante de um grande país. As rivalidades vão bem além do futebol, porém mais cedo ou mais tarde somos forçados a render-nos aos fatos.

Em mais de meio século de existência, tenho observado reiteradamente como as tendências políticas do país hermano terminam por influenciar aquelas do Brasil –seu grande “rival” histórico-, e através deste a todo o subcontinente e mesmo ao conjunto da América Latina, mas especialmente no espectro político de independência e vanguarda social.

Com relação ao fator econômico a correlação também existe, porém com menor impacto, em função da natural liderança do Brasil. Mas em 1913 a Argentina era a décima nação mais rica do mundo, com renda per capita acima de Itália e Espanha. Conta-se que na época, os aristocratas britânicos buscavam casar suas filhas com argentinos ricos. Apesar das limitações da diversidade industrial (baseadas na pecuária e na agricultura) e a política de exportação comprometerem a estabilidade econômica argentina. Na década de 30 o país chegou a ser a sexta potência do mundo, e na década seguinte a educação começou a ser incrementada pelo governo de Perón, que também nacionalizou amplamente algumas estruturas básicas após a Guerra visando consolidar a economia social.

Sucede que a formação política argentina é realmente ímpar na região. As rivalidades com o Brasil remontam aos tempos dos Impérios, tocando à Argentina o fenômeno das “fronteiras de fogo” que no Brasil marcaram sobretudo o Rio Grande do Sul – além do vigoroso sangue mouro herdado dos espanhóis.

Quando o caudilhismo tomou conta das províncias do Plata, os rumos da Argentina foram traçados. Os caudilhos forneceram para a América Latina suas bases nacionalistas naturais, não necessariamente sociais, mas independentistas e quase sempre republicanas. No começo do Século XIX, o general José de San Martin realizava o seu trabalho de libertação de nações que hoje integram o Cone Sul, como Argentina e Chile, além do Peru. Simon Bolivar traçava um curso semelhante nas nações do Caribe, enquanto o Brasil buscava seguir o seu próprio curso.

Assim que o Brasil decidiu se aventurar por completo nas lutas do Cone Sul através da Guerra do Paraguai (1864-1870), teve que pagar o preço do alinhamento político com as nações vizinhas através da mudança do regime. O Paraguai tornara-se independente em 1852, e a Argentina era uma República consolidada desde 1863. A independência brasileira precedera-lhes em tese (1822), mas os vínculos dinásticos e as particularidades do regime eram um entrave nas relações internacionais. Uma vez decretada a República através de um golpe-de-estado, o país passou a se espelhar no grande Irmão do Norte, então referência para os povos emancipados, após a vitória dos abolicionistas na Guerra da Secessão –ainda que o tema da abolição estivesse longe de ser um consenso entre as elites revolucionárias brasileiras, servindo mais como tema de propaganda, apesar (ou por causa, quiçá) da abolição recém proclamada pela Coroa.

Não obstante, nas ondas nacionalistas do século XX, o Brasil antecipou a Argentina peronista através das iniciativas de Getúlio Vargas, não casualmente um gaúcho, variante local dos gauchos argentinos, fontes dos caudilhos regionais. Costumamos chamar este extremo sul do Brasil de “Argentina brasileira” por razões óbvias, ainda que a Banda Oriental sempre tenha preservado suas peculiaridades, especialmente pela introdução do elemento negro ali para trabalhar nos saladeros, que são as nossas charqueadas.

O Rio Grande Sul, havendo recebido uma formação cultural e política semelhante à Argentina desde Vice-Reino da Prata e da Província do Paraguai, de cujos territórios a Região Sul do Brasil viria a integrar, costuma ser definido como o Estado mais politizado da nação, orientando amiúde igualmente tendências nacionais, especialmente vanguardistas ou de esquerda. Foi o que ocorreu na ocasião da Revolução Farroupilha, a guerra interna mais longa do Brasil, quando gauchos e gaúchos deram as mãos para combater as injustiças do governo central, fazendo o Império ouvir com maior clamor as demandas republicanas. Também merece destaque que a ascensão do Partido dos Trabalhadores à presidência em 2003, foi precedida por governos do Partido neste Estado (1999, 2010) e em sua Capital (1989, 1993, 1997, 2001).


O fato da Operação Condor haver iniciado suas ações no Brasil durante a Guerra Fria, denota bem a importância global deste país no subcontinente, mas nisto se dividem perfeitamente a questão política e a econômica. A Operação fez coincidir o golpe brasileiro ao governo social de João Goulart com o começo do controle regional, sendo especialmente cruel e persecutória na Argentino e no Chile, face a proliferação da cultura nacionalista e também socialista existente nestas nações. Nisto, foi igualmente notória a dureza da polícia política no sul do país.

O Plano Austral (1985) de Raul Alfosín (que serviu de inspiração para o Plano Cruzado de José Sarney) gerou hiperinflação e baderna civil, antecipando a chegada do peronista Carlos Meném em 1989 com nova onda de privatizações. Fernando Collor de Mello despontou na presidência do Brasil em 1990 e Fernando Henrique Cardoso veio em 1995 –ambos eram vistos erroneamente como oposição, mas o último teve alguns acertos econômicos, embora embasado no Plano Real iniciado no governo do vice de Collor, Itamar Franco.

O próprio Hugo Chaves começou seu governo apenas em 1999. O peronista Nestor Kirchner chegou ao poder (2003) na esteira de Lula e lhe sucedeu a esposa Cristina, cujo governo respondeu positivamente à crise mundial de 2008, vindo a pagar a dívida externa com o FMI, coisa que o Brasil de Lula também adotou. Os Kirchner ficaram doze anos no governo argentino.


Possuindo um território com 1/3 do tamanho do Brasil, a Argentina é hoje a terceira economia da América Latina (perde para Brasil e México). Porém, o varonismo do seu povo contribui para engradecer a nação. Hoje o país hermano vive uma estafa no modelo nacionalista, que buscou resgatar após o final da ditadura militar. Então chega ao governo o conservador Mauricio Macri, com um discurso impressionante de conciliação, antecipando prováveis tendências regionais de governos moderados e de integração nacional, visando prevenir os improvisos das esquerdas e os riscos das aventuras golpistas.

Não obstante, como “país continente” que é, o Brasil está suscetível a maiores sincretismos culturais. Uma das tendências mais fortes que existe nos horizontes do país passa pela aproximação da política com a religião, coisa que pode tender para qualquer espectro político, e mais exatamente também de centro ou assemelhado. Neste aspecto é que pode surgir uma inovação, apesar das lutas republicanas pela sociedade laica, nem sempre bem aceita ou compatível todavia com países em formação.



Luís A. W. Salvi é filósofo holístico e autor polígrafo com cerca de 140 obras, e na última década vem se dedicando especialmente à organização da "Sociologia do Novo Mundo" voltada para a construção sócio-cultural das Américas.

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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

DEUS, SENDO AMOR, PODE GUERREAR? A VISÃO DE SHAMBHALA


A disposição para a justiça e a liberdade, com desprendimento da própria vida, é componente fundamental da terceira iniciação, sendo também um aspecto essencial da espiritualidade árya porquanto esta raça tinha por dharma desenvolver esta consciência. Daí se entende os discursos de Krishna no Bhagavad Gita sobre a imortalidade e a importância de cumprir o seu dever mesmo na guerra contra os próprios familiares.
Quem ama verdadeiramente, age e salva. Lutar por amor é mais que um direito, é um dever da boa consciência. As guerras não são movidas apenas pelo ódio e a opressão, mas também pelo cuidado pelas coisas, pela defesa do direito e daquilo que se ama.
Todos os sistemas sociais hoje defendidos, mesmo aqueles mais singelos e naturais, foram criados e preservados através da luta. Se existe vida hoje no planeta, é porque se lutou por ela. A Natureza é fruto de muita luta em sua defesa, e não foi fácil a implantação da cultura do Neolítico com seu sedentarismo, deixando atrás a Ordem original ambientalista que determinava respeitar a Mãe Terra e manter a Natureza intocada. A Idade Média, tão criticada pela ordem burguesa atual, deu um basta ao antigo sistema romano de opressão e de exploração social, reentronizando devidamente o Espírito e a Natureza, tendo como coroação espiritual a mensagem de São Francisco de Assis.

O direito de matar, dentro de certas regras e sempre com testemunhas, tem sido respeitado através dos tempos. Tal como matar pela honra em duelos e justas, ou mesmo sob a lei de talião (de talidade ou de retaliação, visando a punição dentro das proporções), já presente no Código de Hamurábi.
A Justiça torna-se ineficaz dentro dos grandes sistemas sociais inchados, o que não justifica que as pessoas devam sair fazendo “justiça pelas próprias mãos”, mas sim que estes sistemas falidos devem ser destruídos ou abandonados para que a Justiça possa ser resgatada. Não se deve esquecer que o Deus que criou o mandamento de “Não Matar”, é o mesmo Deus libertador dos oprimidos, que também promulgava a guerra contra os infiéis e os recalcitrantes, sob a orientação agarthina de buscar a Terra Prometida.
Afinal, uma Terra Prometida nem sempre está livre como se deseja para implantar uma Nova Ordem, muitas vezes ainda existe ali resquícios de velhas coisas como ignorância e opressão, porém se trata de um território ainda possível de libertar porque a máquina do sistema ainda não impera ali a todo vapor, havendo mais velhos atavismos fragilmente aliados à máquina imperialista.



O direito à vida e à liberdade

Amiúde vemos pais dizerem que fariam tudo por seus filhos, até matar se necessário. Acaso Deus não teria o direito de fazer o mesmo em favor daqueles que considera seus filhos?
Os médicos prescrevem remédios que matam vírus e bactérias -o termo “antibiótico” traduz literalmente esse combate a seres vivos danosos. Pois a Terra e as nações-dharma são como o corpo e os membros de Deus.
Perseguições contra pragas são amiúde realizadas para proteger o ecossistema e, em especial, outras espécies consideradas mais nobres, especialmente o próprio ser humano. Para Deus, os pecadores convictos são exatamente como as pragas da Terra, pois devastam a Criação e oprimem as Criaturas.

Muitas nações do mundo, mesmo entre aquelas consideradas mais civilizadas, fazem uso da pena-de-morte, tornando a morte um direito do Estado e da nação. Outras nações não aceitam isto, mas na prática matam e oprimem cotidianamente seus próprios cidadãos.
A PAX capitalista é a “paz” dos cemitérios. A sociedade capitalista trata de manipular suas guerras com a habitual demagogia. Por detrás de sua pax alienada, está um estado-de-guerra endêmico através de opressão, chacina e depredação, visando manter a sua máquina mortal em atividade.

Tais coisas justificariam então as atitudes das religiões guerreiras? Dir-se-ia que apenas parcialmente, porque o tema está sujeito à distorção e ao fanatismo. Dentro da dinâmica das coisas, muitas destas religiões estão defasadas e já pouco correspondem ao seu período histórico. Contudo, as profecias também anunciam um tempo de batalhas pela redenção do planeta.
O grande diferencial que torna matar uma atitude legítima ou não, está na diferença entre a liberdade e a opressão. Há quem mate para oprimir, e há quem mate para se libertar. Mesmo Gandhi admitia a luta armada, caso o método pacífico não seja mesmo possível. Diferente de Barrabás, Jesus não propugnava a luta armada e até mandava dar a outra face e amar o inimigo; contudo, ele foi o primeiro a dizer que não veio para revogar a Lei Antiga (fundada no carma, por assim dizer), mas sim para completá-la através do espírito do amor e do perdão. E deixava claro que, por mais que se deva perdoar, tudo tem limites. Cada um colhe aquilo que semeia, o perdão é uma oportunidade para a renovação, sempre e quando saibamos aproveitar. Um perdão eterno seria sinônimo de suicídio. A Boa Justiça deve ser como os organismos vivos, moles por fora e duros por dentro.

Então pode surgir uma grande questão atual: num tempo tão perigoso como o nosso, com armamentos tão sofisticados, não será uma temeridade fomentar guerras? Certamente seria, porém se trata antes de promover a libertação, e sociedades realmente oprimidas raramente detém grandes armamentos, antes pelo contrário. A luta dos oprimidos se dá muito mais pela estratégia do que realmente no campo formal de batalha. E é aqui que entra então o espírito vitorioso de Shambhala, como fonte de táticas e estratégias tradicionais de libertação, provendo lutas de livramento e a busca por novos territórios de paz.


Luís A. W. Salvi é filósofo holístico e autor polígrafo com cerca de 140 obras, e na última década vem se dedicando especialmente à organização da "Sociologia do Novo Mundo" voltada para a construção sócio-cultural das Américas.

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quarta-feira, 26 de agosto de 2015

VÓRTICES, NÚCLEOS, MONTANHAS... – OS CHAKRAS DO CÉU E DA TERRA

Deserto de Sonora
As regiões centrais possuem tendências naturais para produzir vórtices e conglomerações.

Formações Naturais

No cosmos, as constelações são redemoinhos estelares formados em zonas de concentração de poeira cósmica.
As manchas solares são ciclones magnéticos que migram a cada11 anos através dos Centros Hemisféricos do Sol.
Ciclones, furacões, tufões e tornados, são fenômenos planetários que ocorrem nas Zonas Intertropicais do globo (abaixo).


Os redemoinhos de águas, tão conhecidos nossos, também acontecem em alto mar de forma gigantesca, com grande risco para as embarcações.
A principal origem das montanhas ocorre por “dobramento” ou sobreposição de placas tectônicas, implantando cadeias de montanhas no interior dos Continentes.
Enquanto os litorais geram planícies sedimentares, as montanhas produzem planaltos por erosão. A relativa aridez central seleciona os espíritos e ajuda a preservar a cultura.
O afastamento dos litorais pode reduzir o volume de chuvas e produzir estepes e desertos, a menos que exista o “milagre” natural de alguma grande floresta como a Amazônia, que se deve em boa parte à juventude geológica da região.


De fato, também existem sínteses biológicas na forma de Ecótones, ecossistemas centrais (como o Cerrado) ou de transição (acima).
No organismo humano, merecem destaque o plexo solar –que não casualmente recebe este nome- como um centro físico, e o coração como um centro espiritual.

Influências na Cultura Humana

Dentro da Geografia Humana, existem Zonas Solares ("físicas") e Zonas Polares ("espirituais").



Zonas Solares são regiões onde prevalece a importância das conformações harmônicas telúricas (como nos centralismos geológicos -continentais ou geopolíticos). Por exemplo, Cuiabá que centraliza a América do Sul, ou Palmas que centraliza o Brasil -ambas em termos geodésicos-; ou Chapada dos Guimarães na América do Sul e Barra do Garças para o Brasil, ambas em termos geográficos. Estas regiões se associam ao mito regional de Agartha.


Ao passo que nas Zonas Polares prevalece a importância das conformações harmônicas astronômicas ou globais (como nos centralismos hemisféricos –as citadas manchas solares, por exemplo- e planetários - axial ou equatorial). É o caso do Paralelo 30 situado no centro dos Hemisférios (como Gizé, Lhasa, Ur/Uruk e Deserto de Sonora no Hemisfério Norte; e Ilha da Páscoa, Capilla del Monte e Porto Alegre no Hemisfério Sul), ostentando um equilíbrio sazonal “mandálico” perfeito. Estas regiões se associam ao mito nuclear de Shambala.

Assista também ao video
A Shambala Meridional

Leia também 
A Questão do Centro

Bibliografia
Geografia Espiritual – a Ciência das Origens, Luís A. W. Salvi, Editorial Agartha
Geosofia - o Telurismo Sagrado, Luís A. W. Salvi, Editorial Agartha
Os Centros Espirituais Brasileiros, Luís A. W. Salvi, Editorial Agartha


* Luís A. W. Salvi é autor polígrafo com cerca de 150 obras, e na última década vem se dedicando especialmente à organização da "Sociologia do Novo Mundo" voltada para a construção sócio-cultural das Américas.
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sexta-feira, 13 de março de 2015

O CATIVEIRO HEBREU - UM NOTÁVEL PARALELO COM O BRASIL ATUAL

A família de Abrahão: "retirantes" do deus único
Devo começar este texto com uma pergunta: “-Quem foi que levou realmente os hebreus para a Terra Prometida?”
Provavelmente 99% das pessoas que pensam ter uma resposta para isto, diriam que foi Moisés quem conduziu os hebreus para a Terra Prometida, afinal o autor do Pentateuco é por demais marcante e influente na história hebraica. Porém, nesta resposta haveria um erro de avaliação. Moisés apenas completaria um trabalho junto ao povo de Deus, iniciado séculos antes pelo Pai de Todos, Abrahão, cuja família deixou a Mesopotâmia que um dia fora o próprio paraíso terreal, mas então já profundamente entregue às idolatrias e outras divisões sociais deixando a nação suscetível aos opressores.

Vamos tentar avaliar os acontecimentos políticos que cercam a este duplo-êxodo.
Quando Abrahão chegou na Palestina, pactuou com o rei Melquisedec que o reconheceu entre os seus e a região passou a ser uma Terra Prometida para os hebreus. Mais tarde viria porém uma seca e as tribos vizinhas mostraram hostilidades, levando os hebreus a se refugiarem no Egito. Instabilidades no governo do Egito permitiram a penetração de alguns povos na região do delta, como os hicsos e os hebreus, ambos fugindo das secas.
Ora, o Egito, nação poderosa, via a Palestina como uma zona estratégica que fazia questão de controlar para explorar, por ser ademais um corredor natural de migrações. Por isto tratava de fazer alianças com os filisteus e outros povos da região, visando ter-lhes como aliados e para fortalecê-los. Não era do seu interesse, porém, a presença dos hebreus ali, aos quais preferiam ter por perto, com sua crença nacionalista num deus único. No delta, os hebreus serviriam aos egípcios de várias maneiras, estando sob os seus olhos.
Mais tarde, quando Moisés quis reconduzir os hebreus de volta para a Palestina, encontrou esta dupla resistência do faraó, que não queria perder seus servos e nem queria que eles retornassem para a Palestina onde poderiam “desestabilizar” a região.
Aí entra os mistérios do poder de Deus através de Moisés, que terminaram abalando as resistências do Egito, embora ainda produzissem a megacena da travessia do Mar Vermelho. 

O retorno do povo hebreu foi cheio de percalços. Houve rebeliões e guerras intestinas. Sabia-se que a vida na Palestina seria dura, e com muitas lutas para afirmar a nova nação de Deus, mas Moisés sabia que Deus precisava de uma nação valorosa. Em função disto ocorre a postergação de chegada imediata à Terra Prometida, atrasada em nada menos que 40 anos a fim de preparar uma nova geração para esta conquista. Nisto temos a importância da educação, uma nova geração criada com este propósito já não esmoreceria em seus intentos.
Os hebreus teriam que lutar contra os novos aliados do Egito na Palestina. A situação mudara muito desde que Abrahão pactuara a região com Melquisedec, mas os hebreus não desistiram da sua região, embora muitos preferissem realmente permanecer sob os comodismos do Egito com seu culto aburguesado da “vaca de ouro”.

Resumindo então:
a. A família de Abrahão saiu de uma Mesopotâmia decadente buscando uma nova terra para restaurar a verdade do Deus Uno (ou Unificador, como preferimos ver).
b. Na Palestina, Abrahão fez alianças com o rei-sacerdote Melquisedec que reconheceu os hebreus como nação-irmã bem vinda à região. Contudo, passadas algumas décadas a seca se fez presente e cresceram as hostilidades das tribos locais.
c. Os egípcios divididos ofereceram guarida aos hebreus e outros povos visando tirá-los da Palestina e tê-los a seu serviço.
d. O príncipe Moisés sensibiliza-se pela nobreza da história hebraica e passa a trabalhar para levar o Povo Eleito de volta para a sua Terra Prometida. Ele mesmo seria na verdade um hebreu.
e. Na busca deste intento, Moisés encontra toda sorte de dificuldades. Deus o acode através das Sete Pragas, ainda assim deve mantém o povo por 40 anos no deserto a fim de prepará-lo para a árdua missão que lhe espera de reconquistar a Terra Prometida, ante diferentes lutas-de-livramento na saída e na chegada.


Um paralelo brasileiro

Temos no Brasil atual um cenário não muito diferente disto, onde ambas as situações contribuem para o seu mútuo esclarecimento.
O Brasil também é uma nação em êxodo histórico, uma vez que seu curso evolui organizando e ocupando oficialmente novos territórios internos, inclusive transladando as suas Capitais Federais visando consolidar as suas novas etapas sociais sem maior necessidade de conflito por haver estas novas terras a disposição.

Contudo, a certa altura aconteceu um certo bloqueio nesta dinâmica. Não que a Capital não mudara, de fato isto aconteceu através de Brasília, porém logo na sequencia um Golpe-de-Estado susteve os fluxos sociais e econômicos naturais para as novas regiões, retendo as energias na região anterior ou no Sudeste, tornando-a inflada a ponto de suas megalópoles agonizarem na atualidade.



No começo dos anos 60, a nova civilização brasileira dava o seu mais notável passo através da criação de Brasília. O governo de Juscelino Kubitschek mobilizou amplos contingentes humanos a fim de dar cabo a esta obra muitas vezes monumental no exíguo espaço do seu mandato, sabendo que após ele as coisas poderiam tomar um outro curso.
Seu gesto tem sido comparado nisto ao do faraó visionário Akenaton que criou uma nova cidade para o culto do Sol único que desejava resgatar, porém também mereceria ser comparado com os gestos daquele que foi contemporâneo deste faraó, o próprio patriarca Abrahão em seu idêntico resgate do monoteísmo. 

Neste ato de Kubitschek ocorreria, pois, a clara demonstração da intenção de avanço para os interiores dos territórios. E no entanto, aquilo que ocorreu é que a Ditadura –não podendo reverter este enorme passo cultural- tratou de dar outro significado para Brasília, que deixa assim de ser o centro da nova etapa da civilização nacional para virar uma simples ilha de corrupção, com seus políticos lá encastelados movidos a suborno endêmico.
O Sudeste –a região burguesa por excelência da nação- passou a inchar e inchar. Os nordestinos, cuja região tem sido vítima da “indústria da seca” (desvio sistemático dos recursos anti-seca por parte da política local de coronelato latifundiário), viram-se forçados a acorrer a este novo e fértil “Egito” sudestino, onde encontraram nesta burguesia florescente os seus novos amos.

Como a região mais antiga do país, o Nordeste -a região fundadora da nação, grande base do proletariado do país- foi vendo a sua riqueza de depauperar sob o aumento da sua população e através da exploração comercial intensiva das suas terras pelos latifúndios e as monoculturas. Em função disto, desde a época do Império os nordestinos buscam migrar procurando oportunidades de trabalho.
Eles sustentaram os ciclos da borracha na Amazônia e os ciclos industriais no Sudeste, além de terra participado em massa para a construção de Brasília, cidade na qual não acharam é claro ainda um lar, embora tenham se alojado nas cidades satélites, hoje graves focos de problemas sociais.



Qual seria então o seu destino natural? A criação da nova capital seria seguida pela leva de amplos contingentes humanos, especialmente do Nordeste como uma das regiões mais populosas -e também pobres- do país. Como acontece com os processos migratórios oficiais, o migrante tem direito a um quinhão de terra para trabalhar e produzir. Neste caso, o migrante já não se moverá apenas em busca de trabalho e sobrevivência, mas de patrimônio e completa cidadania. Era de interesse dos governos nacionalistas nos anos 60 que a nação se expandisse para os interiores para que surgisse uma nova classe de pessoas autônomas na região, sobre a base das amplas terras inexploradas ali existentes. O presidente João Goulart buscou dar início à reforma agrária no Brasil, e foi derrubado por causa disto.
Contudo, com o cerceamento da expansão nacional em seu foco industrializado no Sudeste, os fluxos migratórios foram indevidamente desviados, sujeitando toda a lógica demográfica e social aos interesses econômicos.
Hoje, estas amplas terras do Centro-Oeste que seriam por destino do povo brasileiro, em especial dos próprios nordestinos, são usadas até o esgotamento pelas monoculturas praticadas por latifundiários vindos das regiões mais ricas, Sul e Sudeste.

Contudo, este débito social do Brasil necessita ser resolvido com urgência, afinal as cidades inchadas do Sudeste estão em estado-de-explosão populacional por já não oferecem condições básicas para tanta gente.
E não há melhor forma para saldar tal débito que reconduzir estes contingentes ao seu destino natural. Talvez o desafio da reforma agrária seja ainda impraticável, porém estas populações ainda podem se dirigir de toda maneira para aquela região empregando as cidades, a fim de aos poucos ir reconquistando os seus espaços, também sob uma nova mentalidade sustentável e –como toca à esta camada social destinada ao Centro-Oeste- fraternalista ou social.

O Brasil necessita retomar o seu fluxo natural, pois isto faz parte da construção d sua civilização. Que o povo brasileiro possa, enfim, ter o seu regresso seguro ao lar!




Ó Brasileiro !

Que grande nação o Destino te deu!
Que enorme riqueza te cabe por direito.
E de que imensa espoliação tu tens sido vítima!

Tuas riquezas são desviadas para os mais infames destinos.
Nem cabe nomeá-los aqui, tal a sua ignobilidade
Com os quais jamais consentirias...

Como gado tens sido reduzido ao curral
Para que as riquezas que te cabem e a teus filhos
sejam levadas para todo lado e enriqueça

os bolsos dos mais torpes dos torpes
dentro e fora desta nação abençoada por Deus e pela Natureza
porém amaldiçoada pelos homens ignaros e predadores.

A ti desejo apenas que rompas este redil
E te espalhes por todo este país como cabe
Cuidando para que aquilo que te toca seja preservado

Enquanto ainda resta algo para cuidar,
Porque a mão do ladrão nunca é generosa
O boi só engorda sob o olho do dono.


Para saber mais:
"O Brasil é um rio que flui"
“A Chapada se prepara para receber os refugiados do clima”

"De porque estamos perdendo o paraíso e o próprio planeta. As novas oportunidades que também surgem na crise”


Luís A. W. Salvi é escritor holístico, autor de cerca de 150 obras sobre a transição planetária.
Editorial Agartha: www.agartha.com.br
Contatos: webersalvi@yahoo.combr, Fone (51) 9861-5178

terça-feira, 3 de março de 2015

O BRASIL É UM RIO QUE FLUI

De porque o Centro-Oeste representa uma Terra Prometida 
para a nação represada no Sudeste


Quando um rio encontra leito para correr, ele não deve ser represado senão estaremos impedindo o fluxo da vida de seguir, e seguramente nos arrependeremos logo adiante, quando o pequeno mundo que represamos artificialmente deixar de comportar condições para a vida crescente.
O Brasil é como um rio que, desde a sua criação, vem avançando sobre os seus vastos territórios, ao invés de permanecer estagnado num único ponto inicial tendo o resto das terras como periferia. Daí a sua vocação pacífica, fraternal e ecumênica, pese todos os percalços inerentes a um quadro de surgimento civilizatório.
E a forma como este fluir se revela alcança a sua mais plena oficialidade institucional. Trata-se da mudança das próprias Capitais Federais a cada par-de-séculos, com funções que ultrapassam seguramente a simples importância de “ocupar os territórios em nome da segurança nacional”, assim como a exploração das novas terras pelos interesses capitalistas.
Na verdade, existe uma evolução social implícita neste movimento, nestes termos:

a. NORDESTE : base do proletariado
b. SUDESTE : base da burguesia
c. CENTRO-OESTE : base da aristocracia *
d. NORTE : base da espiritualidade
e. SUL : base de coordenação final


Os ciclos das Capitais nacionais correspondem aos mesmos ciclos das revoluções sociais (“desconstrutivas”) européias, que refluem mundo afora especialmente a Ocidente. Porém existem algumas diferenças fundamentais, mais ainda no caso do Brasil. A métrica é similar, mas não a direção (“construtiva” em nosso caso) e sequer os momentos pontuais. Isto é bem como o curso da vida que ascende na criança mas descende no adulto.
O Novo Mundo representa uma fundação nova com seus próprios marcos espaço-temporais. A Descoberta das Américas (ou do Brasil), possui significado bem maior para este Novo Mundo do que para a o Velho Mundo, por mais que este seja protagonista –nem sempre bem quisto!- das transformações ocorridas.
Podemos comparar isto à geração de uma criança. Os pais são responsáveis por ela desde a fecundação, mas ela vai se tornando dada vez mais independente. Ademais destes “empreendimentos” familiares serem coisas mais ou menos corriqueiras para os pais, ao passo que para a criança representa “tudo”, pela própria chegada à vida.

A atrofia sudestina

O fluxo das nossas Capitais Federais ainda segue atualizado em tese, mas não exatamente a força do “rio” da civilização nacional, represada indignamente a certa altura deixando à mingua a evolução das coisas, levando a renovação senão ao estrangulamento, certamente a distorções monstruosas.
A revolução capitalista de 64 ocorreu para deter o rio da Nação que avançava para o seu interior, sinalizado pela criação da Nova Capital, uma vez que atingindo os “abrigos seguros” agarthinos já nada mais deteria a avanço do Brasil! Foi assim esta uma evidente medida periferista e um golpe neo-colonialista.
Um dia a nova Terra Prometida será a Amazônia, mas é óbvio que para isto a “lição de casa” do Centro-Oeste deveria ser realizada, através da reeducação social, espiritual e ambientalista da sociedade nacional; sob pena de termos apenas a pior das situações.
Infelizmente é justamente isto que acontece hoje, dada a atrofia no ciclo capitalista da nação e seu caráter centralizador ou endoimperialista. As movimentações rumo ao interior seguiram agonizantes, quase reduzidas meramente à mística -hálito alado do momento suspenso pela foice do tempo, depois pervertido de toda forma pela completa falta de objetivação-, e regadas à corrupção e à exploração mais crua das terras e das gentes.
Embora não detenha mais a Capital física da nação, o poder político permanece no Sudeste através do poderio econômico e social, concentrando populações sobretudo do Nordeste, a fim de ter não apenas mão-de-obra barata como também contar com capital humano localizado nas eleições.
O poderoso Sudeste capitalista trata o restante do país como satélite, embora saiba manejar bem a região anteriormente organizada em termos populacionais que é o Nordeste, oferecendo senão tanto o pão ao menos bastante circo –coisa que não deixa de incluir certas encenações políticas.
As massas humanas excedentes no país –se realmente existem tantas assim- deveriam estar sendo canalizadas para o Centro-Oeste, juntamente com os investimentos econômicos através das mediações federais, democráticas e republicanas.

Esperanças em meio ao caos

Hoje existe no país uma divisão ideológica tácita -reflexo direto dos resultados das Guerras Mundiais do século passado- que passa ao largo da percepção corrente, formada pelas antigas regiões de um lado e pelas novas regiões de outro lado, mas onde o Sul se alinha com estas últimas porque ainda não foi Sede Federal, pese haver influenciado na organização e no amadurecimento do ciclo atual através do fomento da consciência nacionalista, e que resultou na criação de Brasília quando um político mais relacionado aos interiores alcançou a presidência.
A loucura capitalista começa porém a cobrar um preço estrutural no país, sob as mudanças climáticas fomentadas no mundo todo pela cultura materialista, e aqui pela deterioração ambiental localizada nas cidades imensas do Sudeste e no país pela degradação da Amazônia.
O esgotamento dos recursos ambientais do Sudeste coloca toda a região em colapso.  O Sul permanece ambientalmente mais estável por contar com estruturas climáticas diversas, ainda assim oferece condições limitadas, para além das migrações seletivas que já ocorrem sobretudo por parte dos paulistas.
Se o próprio Centro-Oeste –que representa uma das grandes regiões do país- estivesse mais organizado, poderia oferecer uma saída imediata para estas populações em crise. Contudo, dificilmente o centro geográfico do país aceitará migrações desordenadas, antes deverá negociar criteriosamente investimentos de infra-estrutura e verdadeiro manejo de impacto ambiental.


É fato que, pese todas as distorções sofridas, o Centro-Oeste já desponta como a meca dos empregos nacionais, e tal coisa deverá se ampliar muito doravante –ainda que a região nem sempre comporte condições para populações mais amplas e deva cuidar melhor dos seus recursos naturais, a fim de não seguir rapidamente pelos mesmos descaminhos do Sudeste.

* Na falta de melhor palavra... A nobreza tradicional envolve uma consciência social ampla e integradora, nacionalista enfim, comportando dimensões guerreiras, políticas e filosóficas. Não confundir com as castas atrofiadas medievais, ainda que a propaganda burguesa sempre exagere as suas mazelas.