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terça-feira, 25 de setembro de 2012

A Sinarquia Histórica (por Saint Yves d’Alveydre)



“A data de abertura do Ciclo de Ram remonta, por todos os cálculos, a cerca de 86 séculos antes do atual.
“A organização das instituições do Ciclo, de um ponto a outro do mundo, é também indubitável, e a diversidade dos nomes não faz senão confirmar, em diferentes línguas, a Unidade religiosa, a Síntese desse antigo Estado Social.
“É esse Governo Geral de princípios, como é dito por Moisés, quando relaciona certos patriarcas, símbolos coletivos e não individuais; é a duração total desse Império arbitral que ele caracteriza sob o nome de Koush.
“Em Israel, veremos como o Conselho de Deus e o Conselho dos Deuses, na Sinarquia moisíaca, julgavam o Poder político, quando este, saindo de seu lugar, recorria à Autoridade ao esquecer de todo princípio e controle, substituindo pelo arbítrio à Arbitragem Teocrática.
“Todos esses valores intelectuais e morais, tratando-se de Governo Geral ou particular, vêm do gênio puro que abriu e organizou o Estado Social do Ciclo em questão, do qual somos as resultantes.
“Esse desmembramento do antigo Osíris, do antigo Governo intelectual do Carneiro e do Cordeiro, foi fruto da Política.
“Antes do cisma de Irshou, a Ásia, a África, a Europa, foram governadas por uma Teocracia da qual todas as religiões do Egito, Assíria, Síria, Pérsia, Grécia, Etrúria, Gália, Espanha, Grã-Bretanha foram o desmembramento e depois a dissolução.
“Esta Teocracia claramente indicada nos anais sagrados dos Hindus, Persas, Chineses, Egípcios, Hebreus, Fenícios, Gregos, Etruscos, Druidas e Bardos célticos, bem como nas canções da antiga Escandinávia e da Islândia, esta Teocracia foi fundada pelo conquistador celta celebrado no Ramayana de Valmiki e os Dionisíacos de Nonus.
“É esta unidade primeira de que encontramos traços positivos por toda a parte, cuja Tradição foi conservada nos antigos templos que ainda vemos em Filóstrato, Apolônio de Tiana contemporâneo de Jesus, que vemos comentar em todos os centros religiosos do Mundo, entre todos os sacerdotes de todos os cultos, desde a Gália até o interior da Índia e da Etiópia.
“Ora, este mesmo Apolonius, último representante voluntário da Iniciação junto aos poderes dirigentes, controla e procura encaminhar todos os imperadores romanos que, durante sua longa carreira, se sucederam no Governo Geral do Mundo.
“Pode-se ver na sua vida, pelos autores citados, que ele cumpriu essa missão com risco de sua liberdade e vida, como veremos acontecer no Conselho dos Deuses, o conselho dos iniciados laicos, em Israel e Judá.
“O próprio Jesus Cristo cumprirá este dever de uma maneira ainda mais brilhante, face às instituições dirigentes de seu povo.
“Daniel agirá da mesma forma na Babilônia; e quando mais nos aprofundamos no passado, mais o controle dos Poderes públicos pelos iniciados será geral e eficaz.
“Mas esse controle é impossível sem o entorno de uma Teocracia, tanto numa nação em particular, como nos anais mútuos ou intergovernamentais dessas nações. Onde reina uma forma de governo puramente política, Poder oligárquico ou Poder de um só, lá onde reina a Anarquia representativa de uma assembléia ou a Anarquia coroada na pessoa de um soberano, nenhuma perfeição social é possível, e a troca de uma forma de governo político por outra é só aparente, sem, no fundo, nada mudar.
“Acontece o contrário, quando reina a Sinarquia trinitária e o arbitrário é tão impossível no governo interior de um povo como no Governo geral do conjunto de povos assim organizados pela Teocracia.
“Há mais de um século que confundimos o nome das coisas, tomando os efeitos pelas causas, os Cultos oprimidos pela Política e pela própria religião, por ignorância, fruto desta depreciação, pelo espírito ultra-científico que os criou.
“A crítica racional, superficial, remete sempre às mesmas meias-verdades onde ela comete erros, apresentando-os como dogmas.
“A Religião, longe de ser fruto da ignorância, foi a Síntese das ciências, e o duplo aspecto da Ciência e da Verdade não pode ser reunido e conhecido senão por ela.
“Na ‘Missão dos Soberanos’ e na ‘Missão dos Operários’, provei que a desordem social da Europa, não só nas camadas baixas mas sobretudo nas informações mútuas a nível de governos, é insolúvel pela Política pura, seja monárquica, seja republicana, pois essa desordem é o fruto desse dupla política, e só dela.
“Provei, ao contrário, que essa anarquia armada e revolucionária dos Poderes soberanos é uma negação perpétua à religião do Cristo, e que esta última indica claramente a necessidade de um Governo social trinitário, de uma Arbitragem tríplice impessoal.”

Saint Yves d’Alveydre, A Missão dos Judeus (1884), considerada a obra-prima deste autor, inédita nas línguas ibéricas.

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