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quarta-feira, 10 de maio de 2017

O Setentrionismo na Teosofia: desvio ou realidade?

Teria a Teosofia nascido num período de evolução setentrional natural do mundo, ou será  que as ideias teosóficas foram influenciadas pelo setentrionismo ideológico? Eis uma pergunta que não pode calar.
Ao lado das suas três proposições básicas –formar um núcleo da fraternidade humana, estudar os textos sagrados e pesquisar os poderes secretos do homem e da Natureza-, duas coisas sobretudo afamaram a doutrina teosófica: a ideia dos Mahatmas e a questão das raças-raízes. E é nesta última que se acham alguns dos fatores mais polêmicos da moderna teosofia, em função de tudo o que envolve a ideia de “raça”.
Talvez tenha passado amplamente desapercebido, que uma das razões do enorme sucesso da Teosofia, se devesse justamente ao caráter essencialmente setentrionismo da sua doutrina. Quer dizer: as pessoas estavam celebrando uma filosofia que lhes dizia que o seu próprio tempo e lugar estavam na crista da evolução do mundo... 
Não obstante, apesar dos esforços por formular e organizar os ciclos do mundo e da humanidade, através de uma autodefinida “Astrologia Esotérica”, é público e notório que a Teosofia jamais forneceu uma astrologia realmente palpável, científica e tradicional ao mundo. Ainda assim, suas concepções vagas e confusas serviram aos propósitos imediatos da instituição, de exaltar o setentrionismo. Afinal, aquilo que estava claro ali, é que o Norte ainda carregaria longamente o facho da evolução do mundo. Outras regiões tiveram ou ainda teriam a sua vez, mas por muito tempo ainda –na verdade, um tempo quase atemporal das ideias teosóficas-, o Norte ainda seria o seu porta-voz.

Para sustentar estas posições, a Teosofia teve nada menos do que... contestar frontalmente a Ciência, naquilo que diz respeito à evolução humana. Antropologia e paleontologia foram indiscriminadamente misturadas, resultando num misticismo que mais afasta do que aproxima o grande objetivo sintético da Sociedade Teosófica de “promover a síntese entre ciência, religião e filosofia.” O estreitamento com as religiões do Oriente emprestava um certo álibi setentrionista, mesmo porque também ali as concepções astrológicas costumam ser vagas, sobretudo no hinduísmo e no budismo.

Na verdade, em quase toda parte a imprecisão dos ciclos tradicionais é hoje mais regra que exceção, e a neo-teosofista Alice A. Bailey assume isto como uma fatalidade, ou uma necessidade por “medida de segurança”. Através de uma grande síntese de informações, contando também com os recursos da Ciência, é possível alcançar porém um panorama bem diferente das coisas.

Afinal, a escora dos ciclos védicos não se sustenta de todo, e o próprio “Glossário Teosófico” (em boa parte organizado após H.P.Blavatsky) acabou trazendo chaves para os ciclos tradicionais e -estes sim- científicos. Se resgata daí o baluarte do Grande Ano de Platão e seus hemiciclos, chamados corretamente pelo astro-mundialista Andre Barbault de “o dogma máximo da astrologia”. E com isto se teria uma aproximação entre as ideias de raças e de rondas mundiais.* 
Também seria possível apelar para os importantes ciclos de cinco mil anos, buscando avaliar a evolução espiritual da própria raça árya, ciclo este que estaria em plena transição na atualidade, já que maias e hindus definiram o seu começo há cinco mil anos. Aqui, começamos a tratar o tema em termos de cultura, isto é, antropologia, mas ainda relativamente ligadas às raças e seus continentes.
 Ora, as caraterísticas mais pontuais da civilização árya (como é a Civilização) não excedem este período de cinco mil anos, na chamada “Idade dos Metais” da Ciência. E o mesmo se pode dizer no tocante à raça atlante, como cultura da religião e da agricultura, no chamado Neolítico da Ciência. E assim se poderia prosseguir, apesar das mudanças anteriores serem cada vez mais sutis e subjetivas. Então, se a “raça” possui cinco mil anos, os subciclos áryos já se encontram esgotados, e a nova raça raiz, anunciada para todas as Américas, também se acha vigente.
Raças ou culturas étnicas?
Deste modo, em nenhuma hipótese toca protelar a evolução meridional na Nova Era; sob a suspeição de portar um colonialismo sutilNa melhor das hipóteses, o setentrionismo foi extremamente exagerado na Teosofia de Blavatsky e seus seguidores. Por isto, caberia discordar da afirmação de Alice A. Bailey de que “a astrologia esotérica representa na atualidade a mais pura manifestação da verdade esotérica”. Mesmo porque, tampouco Bailey fez grandes esforços para ajustar as coisas, pelo contrário, o eurocentrismo chega por vezes quase a recrudescer ali...
O marco de Itaparica, Eubiose
De forma algo providencial, cedo começaram os esforços para se criar uma teosofia meridional e brasileira, através daquela entidade atualmente conhecida como Sociedade Brasileira de Eubiose. Infelizmente, a Eubiose tampouco realizou esforços objetivos no campo da astrologia esotérica, mas trouxe uma nota mais local ao enfatizar a Geografia sagrada, mesmo que amplamente envolta em mitos ainda, que fora amplamente ignorada na “teosofia original”, fora das formulações sobre “raças-raízes”. Naturalmente, o “sucesso” social no país da Eubiose se deve basicamente ao mesmo umbilicalismo que afamara anteriormente a Teosofia, desta vez focalizada no Sul (Brasil). Atualmente é a Escola Agartha que assume este bastão, para auxiliar o processo vigente da transição planetária.

Afinal, este Sétimo Continente que é a América do Sul, está destinado a sediar a Era de Aquário; como afirmam sábios como Serge Raynayud de la Ferrière e a mensageira Elizabet Clare Prophet. O Martinismo, espécie de teosofia francesa, também decidiu investir neste Meridionismo. E a ciência da Geosofia, a Geografia sagrada, representa a doutrina-mãe para credenciar esta manifestação final da luz na Terra. 

* Pois se as raças-raízes possuem 12 mil anos (contra o mito teosófico de um milhão de anos), isto nos lança ao começo da evolução superior do homem há 50 mil anos (segundo os dados da Ciência), por estarmos “no final da quinta raça-raiz.” O começo destes hemiciclos se daria em Câncer e Capricórnio (“porta dos homens” e “porta dos deuses”), de modo que rumamos para uma renovação, e toda a Era de Aquário pode ser considerada como transição. Surge então a questão das sub-raças, naturalmente atreladas às eras e aos milênios do Ano cósmico. Os últimos milênios da raça ou da ronda atual, estariam atrelados às “sub-raças sintetizadoras” (cf. Bailey) da raça árya. E se uma sub-raça equivale a uma Era, Aquário já corresponderá ao subcontinente americano setenário que é o meridional. 

Luís A. W. Salvi é filósofo holístico e autor polígrafo com cerca de 140 obras, e na última década vem se dedicando especialmente à organização da "Sociologia do Novo Mundo" voltada para a construção sócio-cultural das Américas.

Contatos: webersalvi@yahoo.com.br 
Fones (51) 9861-5178 e (62) 9776-8957
Editorial Agartha: www.agartha.com.br

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