Uma Geografia Sagrada brasileira
O Brasil já teve algumas Capitais Federais, cuja evolução segue uma ordem lógica histórica. Existe um calendário de organização do Brasil que passa sucessivamente por suas regiões, fincando Capitais federais uma após outra a cada 200 anos, numa busca georeferenciada pela renovação da sociedade e sua cultura, sempre alinhada com os acontecimentos planetários. Isto tudo também já aconteceu em muitas outras regiões do planeta, geralmente através da emergência de sucessivos impérios regionais.
Acontece então que este quadro apresenta várias leituras possíveis, a partir de analogias universais com -por exemplo- os Quatro Elementos da Natureza e sua sequência evolutiva natural. Sobre esta base, temos realizado a princípio analogias sociais com as regiões do país, quer dizer: de classes naturais e progressivas. Porém o mesmo também se presta às Iniciações espirituais. Na Índia, para exemplificar, temos o modelo do varnashramadharma, que reúne as castas (varnas) e as etapas-de-vida (ashramas) que a rigor correspondem também a iniciações.
É importante compreender, portanto, que esta não é apenas uma teoria especulativa, e sim dinâmicas espirituais que estão criando a nova raça-raiz a se desenvolver nas Américas. Este não é porém um roteiro obrigatório para a iniciação, sendo apenas útil, interessante e conveniente para aqueles que se dispuseram a segui-lo.
Podemos dizer que a cultura acontece por etapas, mas que a efetividade destas iniciações depende sobretudo da consciência do próprio buscador. Aquilo que a região oferece são os melhores potenciais para a realização de determinados graus, ao modo de uma perfeita geografia sagrada portanto.
O plano evolutivo da nova raça é de quatro iniciações, ainda que a sua Hierarquia possa alcançar até seis graus. Na tabela abaixo, nos limitaremos a enunciar as regiões, seus Elementos e os graus correspondentes.
a. Nordeste: “Terra” = 1º Grau (o Noviciado)
b. Sudeste: “Água” = 2º Grau (o Discipulado)
c. Centro-Oeste: “Fogo” = 3º Grau (a Transfiguração)
d. Norte: “Ar” = 4º Grau (a Iluminação)
e. Sul: “Éter” = 5º Grau (a Maestria)
Assim, tudo começou pela região do Descobrimento que foi o Nordeste, onde se concentraram os primeiros fluxos econômicos e populacionais de transformações do país. É a região proletária ou do trabalho por excelência e corresponde por isto à iniciação do Noviciado, pautado pela disciplina e pelo cuidado da saúde física. O calor equatorial da região é propício para o despojamento característico deste primeiro grau.
Em seguida o curso da evolução dirigiu-se para o Sudeste fértil e tropical, favorecendo ainda mais e economia e o florescimento de uma burguesia próspera, associada à iniciação do Discipulado pautada pela devoção e pela religiosidade.
Logo ocorreu a ousada iniciativa de organizar o Centro-Oeste a partir de uma nova Capital Federal, Brasília, onde as elevações de um Cerrado relativamente austero são propícias à classe dos guerreiros idealistas e seu grau terciário de iniciados solares e administradores.
Estima-se assim que na sequência venha a se manifestar uma futura Capital Federal numa Amazônia concorrida internacionalmente, onde florescerá uma nova classe religiosa e sua iniciação quaternária dos Veneráveis iluminados.
Por fim, ainda deverá haver uma quinta etapa especial em zona temperada no extremo Sul do país, perfeita para selar as harmonias que a grande iniciação Asekha ou da Maestria espiritual sempre pede.
Considera-se, pois, que a própria natureza da região, seus climas e biomas, reunido às culturas naturalmente desenvolvidas ali, favoreçam o desenvolvimento dos respectivos graus espirituais, quiçá através do refinamento ou do aprimoramento de algumas destas energias.
Uma pessoa comum poderia captar especialmente o aspecto material ou econômico das regiões, resultando na configuração das classes sociais ou das “castas”. Quer dizer: aprender a trabalhar no Nordeste, aprender a empreender no Sudeste, aprender a liderar no Centro-Oeste, aprender a renunciar no Norte e aprender a planejar no Sul.
Já alguém em evolução interior está apto a assimilar as energias sutis ali existentes. E assim aprender a disciplinar-se no Nordeste, aprender a servir no Sudeste, aprender a meditar no Centro-Oeste, aprender a iluminar-se no Norte e aprender a orientar no Sul.
Contudo, em cada caso seria interessante seguir a ordem dada das etapas/regiões da evolução do país, resultando para uns numa mobilidade social e para outros numa evolução espiritual. Um período mínimo de dois anos em cada região, seria quiçá interessante para conhecer os potenciais locais e poder absorver adequadamente as energias necessárias. Para o espiritualista isto poderia ser feito em templos, ashrams ou ambientes afins de qualquer linha espiritual.
Atualmente a energia criativa está trabalhando a região Centro-Oeste, de modo que as energias da iniciação solar (também conhecida como transfiguração espiritual) estão sendo particularmente favorecidas nesta área do país.
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Sobre o Autor
Luís A. W. Salvi (LAWS) é estudioso dos Mistérios Antigos há mais de 50 anos. Especialista nas Filosofias do Tempo e no Esoterismo Prático, desenvolve trabalhos também nas áreas do Perenialismo, da Psicologia Profunda, da Antropologia Esotérica, da Sociologia Holística e outros. Tem publicado já dezenas de obras pelo Editorial Agartha, além de manter o Canal Agartha wTV.



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