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A nova arquitetura de Cavernas: preparações para a “raça futura”

É de amplo conhecimento as lendas que existem sobre sociedades que vivem nos subterrâneos do planeta. Algumas obras tem imortalizado esta ideia, como a célebre “A Raça Futura” de Edward Bulwer-Lytton, publicada em 1871, influenciando o surgimento da ficção científica moderna e inspirando teorias ocultistas e esotéricas posteriores sobre civilizações intraterrenas como Agartha ou Shambhala. Adiante regressaremos ao tema para tratar de suas dimensões proféticas.

Esta obra surgiu na esteira de teorias que vinham sendo alimentadas desde o Século XVII, passando pelas obras de Jules Verne e de Edgar Rice Burroughs, até culminar na também celebre “A Terra Oca” de Raymond Bernard em 1960 que influenciou a cultura pop atual.

Casa na aldeia Matmat, Tunísia

Não obstante, mesmo no registro histórico houveram e ainda existem sociedades vivendo nos subterrâneos, ainda que não de forma absolutamente secreta ou remota, e não estamos falando de cavernas comuns. Este recurso tem sido muitas vezes usado como forma de defesa e até como proteção contra as intempéries. O exemplo mais célebre é Derinkuyu na Turquia, porém a vila de Matmat na Tunísia é um bom exemplo de aldeamento subterrâneo popular que tem atravessado incolumemente gerações.

Ainda assim, à primeira vista estas ideias nos soariam como algo bastante exótico, desconectadas da realidade das sociedades modernas e de massas. Ao mesmo tempo em que vivemos positivamente um mundo em grandes transformações. E pelo que tudo indica, o mundo futuro será realmente muito diferente do atual! Talvez esta seja a última geração que está vendo o planeta como é hoje.

Mudanças em curso

Ora, com o acirramento das crises climáticos no planeta, especialmente o aumento de calor tornando a existência humana bastante difícil na superfície da terra, e até mesmo diante de eventuais cenários de resíduos químicos ou atômicos de guerras, é muito natural que a humanidade volte a olhar para este recurso que a mãe terra sempre lhe ofereceu e que teve até um papel importante no decurso da evolução primitiva da espécie humana.

Hoje em dia já existem propostas exóticas de casas mais ou menos luxuosas aproveitando cavernas ou rochedos encavados, como uma espécie de modismo inocente. Porém, aquilo que veremos acontecer num futuro breve é totalmente diferente, porque terá iniciado toda uma ampla escavação de túneis com objetivos vários especialmente para fins de residência civil, inaugurando toda uma nova tendência de arquitetura “agarthina”.

Minas abandonadas

Existe ademais todo um universo não explorado nos subterrâneos do planeta, atualmente bastante protegidos por leis ambientais. Há inclusive rios inteiros correndo sob o solo que muitas vezes regurgitam na superfície para alimentar cidades e outros rios. Contudo não tardará para que estas leis sejam afrouxadas, ainda que muita coisa também deverá acontecer inicialmente nas sombras por iniciativas militares e de elites, que atualmente ainda se limitam a criar bunkers luxuosos em muitas partes do planeta. De um modo ou de outro, as pessoas também descobrirão estes locais secretos e começarão a explorá-los. Provavelmente para os populares serão destinados locais mais insalubres e inseguros como minas abandonadas.

A par disto, locais elevados como planaltos e montanhas também serão mais valorizados. A produção de cavernas populares em escala tem sido desde há muito uma atividade corrente nos Himalaias. Da mesma forma que se buscarão cada vez mais as latitudes mais altas na direção dos polos. Inclusive muitas áreas altas hoje geladas como Groenlândia, Alaska e Sibéria estão ampliando rapidamente as suas áreas verdes, tal como a própria Antártida, ainda que tal situação também venha a descortinar várias situações críticas locais e para todo o planeta, como liberação de gases de permafrost e atividades vulcânicas acrescentadas. O próprio degelo das montanhas não será apenas algo pacífico e gradual, como temos visto nos recentes acontecimentos catastróficos do Nepal.

Cenários da atual transição

Seja como for, o futuro reserva realmente para a humanidade um cenário troglodítico que ela até agora não vislumbra, orgulhosa de suas conquistas tecnológicas e arquitetônicas que serão altamente comprometidas pelas severas mudanças climáticas que acontecerão, exigindo todo um redesenho dos recursos da civilização que não poderá deixar de passar fortemente pelos subterrâneos do planeta.

Na realidade as mudanças muitas vezes até nem serão tão sentidas como se poderia imaginar num primeiro momento, uma vez que a humanidade tem mesmo se acostumado a viver longe da Natureza e enclausurada em apartamentos e shopping centers. Há inclusive sociedades modernas bastante habituadas a viver em subterrâneos por razões climáticas (como no Canadá, imagem acima) ou de segurança (como na China). Mesmo nossas propostas de cidades novas (cidades da luz, cosmópolis etc.) previam idealmente contar com subterrâneos gerais para diferentes finalidades.

Então estes novos cenários cavernícolas que se anunciam devem ser encarados com certa naturalidade e muitas vezes sequer demandarão uma grande transição. Com toda a tecnologia acumulada pela humanidade, certamente esta nova cavernização cultural será muito diferente daquelas realizadas em outros tempos.

Ainda assim os desafios poderão ser grandes para a saúde humana, limitando atividades humanas como esportes e áreas de agricultura. Em contrapartida, dificilmente o futuro reservará tantos recursos para o acúmulo e o desperdício de riquezas como acontece hoje, ainda que iniciativas mirabolantes também estarão muito em voga como os esforços de colonizar outros planetas.

De modo que todo este quadro futuro configurará tão somente um cenário crítico de transição planetária, onde os esforços espirituais serão bastante redimensionados visando a liberação humana das cadeias do planeta, naquilo que se refere às condições planetárias de curto ou médio prazo.

Desde a pré-História da humanidade, as cavernas tem sido usadas como templos sagrados. A configuração de uma nova civilização cavernícola representa uma poderosa indicação de uma sociedade destinada à iluminação, porque as suas condições de vida estão direcionadas para as coisas da transcendência.

Anunciando a “raça futura”

Neste artigo, vislumbramos ser possível desenhar um quadro amplo e razoável para um novo futuro cavernícola da humanidade, que já se acha na atualidade em franca preparação. De modo que a ideia de uma nova sociedade troglodita avançada mostra-se perfeitamente possível, e isto nos leva a retornar à obra de Sir E. Bulwer-Lytton citada de início com suas eventuais dimensões proféticas, e cujo título original é na realidade “Vril, o Poder da Raça Futura". Sir Bulwer-Lytton era um político e escritor profícuo com muitas obras importantes e uma boa penetração no universo dos mistérios, sua também famosa obra “Zanoni” representa clássico absoluto da literatura esotérica e Rosacruz.

A energia Vril, que dá nome à raça Vril-ya, era uma energia de amplo uso para questões de tecnologia e de saúde. A obra apresenta uma sociedade subterrânea igualitária mas também hierarquizada. Este é também o momento de falar sobre o acesso a novas energias.

Ora, o simbolismo das cavernas é muito próprio ao cultivo das energias, sendo um dos grandes símbolos do coração, que é o chakra que a nova raça está destinada a despertar. Estamos falando nada menos que a própria iluminação espiritual, a quarta iniciação, ainda que um resgate da terceira iniciação que definiu a raça arya também traga referências nesta direção. Acontece que esta transfiguração espiritual aporta já um grande acréscimo de energia individual e empodera o ser humano para grandes realizações. Afinal a humanidade jamais pode prescindir de boas lideranças para poder avançar.

Isto é importante porque, quando alguém avança para alcançar a iluminação, por regra também desencarna deste mundo para sempre. Aqueles que todavia sobrevivem às provações desta iniciação adquirem um alto poder de cura espiritual, porque usam-no para a sua própria cura antes de tudo o mais. Na sequência podem tornar-se grandes videntes e galgar novas iniciações superiores.

Com tudo isto, temos um quadro bastante próximo das intuições do célebre autor inglês que adquire assim ares proféticos. E tudo isto também vem ao encontro de uma profecia análoga vinda de outro autor, político e aventureiro polonês que foi F. Ossendowsky. Sua obra “Bestas, Homens e Deuses” narra o seu contato com os lamas da Mongólia, onde é informado através dos círculos do monarca Bogdo Khan sobre uma profecia da vinda dos povos agarthinos desde os subterrâneos da terra para orientar a humanidade nos tempos futuros. As lendas sobre o Rei do Mundo são famosas no budismo tibetano, envolvendo também a batalha final de Shambhala. Esta profecia também está datada: ela anuncia tais acontecimentos para o ano próximo de 2019.

A Batalha Final de Shambhalla

 E com efeito esta data soa pertinente e consoante com o grande fluxo de profecias existentes para os tempos atuais. Ora, a profecia de Shambhala está estritamente relacionada à figura do Kalki Avatar, e a vinda dos avatares mais importantes segue o ritmo regular de 2.600 anos.*

Será esta a data em que a humanidade descobrirá que o seu futuro voltará a depender de regressar para as entranhas da Mãe Terra, quiçá para gestar ali o sonho de uma nova humanidade?!

 

* Até porque dez vezes (dasavatares) fecha o valor do Grande Ano. Podemos sem dificuldades reunir esta profecia também à vinda de Maitreya, além do herói local Rigden Jiepo. E assim o Budismo Tibetano terá forjado um de seus maiores sincretismos.


Leia também:

O Brasil das Cavernas - uma geografia agarthina 


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Sobre o Autor

Luís A. W. Salvi (LAWS) é estudioso dos Mistérios Antigos há mais de 50 anos. Especialista nas Filosofias do Tempo e no Esoterismo Prático, desenvolve trabalhos também nas áreas do Perenialismo, da Psicologia Profunda, da Antropologia Esotérica, da Sociologia Holística e outros. Tem publicado já dezenas de obras pelo Editorial Agartha, além de manter o Canal Agartha wTV.  




As Regiões Iniciáticas do Brasil

Uma Geografia Sagrada brasileira

O Brasil já teve algumas Capitais Federais, cuja evolução segue uma ordem lógica histórica. Existe um calendário de organização do Brasil que passa sucessivamente por suas regiões, fincando Capitais federais uma após outra a cada 200 anos, numa busca georeferenciada pela renovação da sociedade e sua cultura, sempre alinhada com os acontecimentos planetários. Isto tudo também já aconteceu em muitas outras regiões do planeta, geralmente através da emergência de sucessivos impérios regionais.

Acontece então que este quadro apresenta várias leituras possíveis, a partir de analogias universais com -por exemplo- os Quatro Elementos da Natureza e sua sequência evolutiva natural. Sobre esta base, temos realizado a princípio analogias sociais com as regiões do país, quer dizer: de classes naturais e progressivas. Porém o mesmo também se presta às Iniciações espirituais. Na Índia, para exemplificar, temos o modelo do varnashramadharma, que reúne as castas (varnas) e as etapas-de-vida (ashramas) que a rigor correspondem também a iniciações. 

É importante compreender, portanto, que esta não é apenas uma teoria especulativa, e sim dinâmicas espirituais que estão criando a nova raça-raiz a se desenvolver nas Américas. Este não é porém um roteiro obrigatório para a iniciação, sendo apenas útil, interessante e conveniente para aqueles que se dispuseram a segui-lo.

Podemos dizer que a cultura acontece por etapas, mas que a efetividade destas iniciações depende sobretudo da consciência do próprio buscador. Aquilo que a região oferece são os melhores potenciais para a realização de determinados graus, ao modo de uma perfeita geografia sagrada portanto. 

O plano evolutivo da nova raça é de quatro iniciações, ainda que a sua Hierarquia possa alcançar até seis graus. Na tabela abaixo, nos limitaremos a enunciar as regiões, seus Elementos e os graus correspondentes. 

a. Nordeste: “Terra” = 1º Grau (o Noviciado)

b. Sudeste: “Água” = 2º Grau (o Discipulado)

c. Centro-Oeste: “Fogo” = 3º Grau (a Transfiguração)

d. Norte: “Ar” = 4º Grau (a Iluminação)

e. Sul: “Éter” = 5º Grau (a Maestria)

Assim, tudo começou pela região do Descobrimento que foi o Nordeste, onde se concentraram os primeiros fluxos econômicos e populacionais de transformações do país. É a região proletária ou do trabalho por excelência e corresponde por isto à iniciação do Noviciado, pautado pela disciplina e pelo cuidado da saúde física. O calor equatorial da região é propício para o despojamento característico deste primeiro grau.

Em seguida o curso da evolução dirigiu-se para o Sudeste fértil e tropical, favorecendo ainda mais e economia e o florescimento de uma burguesia próspera, associada à iniciação do Discipulado pautada pela devoção e pela religiosidade.

Logo ocorreu a ousada iniciativa de organizar o Centro-Oeste a partir de uma nova Capital Federal, Brasília, onde as elevações de um Cerrado relativamente austero são propícias à classe dos guerreiros idealistas e seu grau terciário de iniciados solares e administradores. 

Estima-se assim que na sequência venha a se manifestar uma futura Capital Federal numa Amazônia concorrida internacionalmente, onde florescerá uma nova classe religiosa e sua iniciação quaternária dos Veneráveis iluminados.

Por fim, ainda deverá haver uma quinta etapa especial em zona temperada no extremo Sul do país, perfeita para selar as harmonias que a grande iniciação Asekha ou da Maestria espiritual sempre pede. 

Considera-se, pois, que a própria natureza da região, seus climas e biomas, reunido às culturas naturalmente desenvolvidas ali, favoreçam o desenvolvimento dos respectivos graus espirituais, quiçá através do refinamento ou do aprimoramento de algumas destas energias. 

Uma pessoa comum poderia captar especialmente o aspecto material ou econômico das regiões, resultando na configuração das classes sociais ou das “castas”. Quer dizer: aprender a trabalhar no Nordeste, aprender a empreender no Sudeste, aprender a liderar no Centro-Oeste, aprender a renunciar no Norte e aprender a planejar no Sul.

Já alguém em evolução interior está apto a assimilar as energias sutis ali existentes. E assim aprender a disciplinar-se no Nordeste, aprender a servir no Sudeste, aprender a meditar no Centro-Oeste, aprender a iluminar-se no Norte e aprender a orientar no Sul.

Contudo, em cada caso seria interessante seguir a ordem dada das etapas/regiões da evolução do país, resultando para uns numa mobilidade social e para outros numa evolução espiritual. Um período mínimo de dois anos em cada região, seria quiçá interessante para conhecer os potenciais locais e poder absorver adequadamente as energias necessárias. Para o espiritualista isto poderia ser feito em templos, ashrams ou ambientes afins de qualquer linha espiritual.

Atualmente a energia criativa está trabalhando a região Centro-Oeste, de modo que as energias da iniciação solar (também conhecida como transfiguração espiritual) estão sendo particularmente favorecidas nesta área do país. 


Leia também:

A Futura Capital do Brasil


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O Brasil das Cavernas - uma geografia agarthina

Breve mapeamento geral dos grandes sistemas espeleológicos brasileiros com alguma contextualização histórica


O Brasil com seu vasto território possui muitos sistemas espeleológicos importantes. E até onde se sabe, os seus maiores complexos de cavernas encontram-se nas bordas do seu Planalto Central (ver mapa abaixo) - trata-se de uma derivação paralela à formação das grandes bacias do país em função da absorção de águas pluviais pelo solo poroso do Planalto; onde também ocorrem os fenômenos das dolinas, que são grandes buracos gerados por erosão e desabamento do solo, funcionando como as "claraboias" ou pontos de captação de água da superfície para o mundo subterrâneo. Os famosos cenotes do Yucatan também são dolinas, porém as do Brasil geralmente são secas ou não dão acesso a rios, servindo para a nidificação de pássaros e abrigos para a flora.

Estas informações já reúnem dois conceitos agarthinos, que são a centralidade geográfica (zonas intracontinentais) e os subterrâneos geológicos (as cavernas). Ambas as situações tem fomentado e possibilitado muitas vezes a preservação da cultura tradicional diante das conjunturas históricas ou climáticas adversas - na Turquia por exemplo, onde cidades inteiras foram construídas sob a superfície, ou nas vilas subterrâneas da Tunísia. E ainda podemos encontrar naturalmente nestas regiões um terceiro vetor agarthino na forma dos polos geográficos e geodésicos do país e até do Continente, geralmente assinalados por cidades. Tudo isto ressoa a uma certa mística de centro e portanto uma tradicional metáfora do coração, que é uma das razões pelas quais as cavernas são empregadas como santuários desde a mais remota pré-história humana.


Temos assim em termos espeleológicos neste contexto, as regiões de Nobres e da Serra do Roncador no Mato Grosso (onde tem sido forte a mística cavernícula) e a região de Bonito no Mato Grosso do Sul, assim como no Peruaçu e em Cordisburgo em Minas Gerais, além do Vale do Ribeira entre os Estados de São Paulo e Paraná mais ao Sul. Para o Norte destacam-se o município de Aurora do Tocantins no Estado homônimo, o Parque Nacional da Serra da Capivara e Sete Cidades no Piauí e ainda o Parque Nacional de Ubajara no Ceará.

Contudo, os complexos mais importantes e grandiosos situam-se nos entornos do Espigão Mestre (também conhecida localmente como Serra Geral de Goiás ou Chapadão do Oeste Baiano), que divide os Estados de Goiás e Bahia. Ali temos pelo lado ocidental goiano as grandes cavernas de Terra Ronca e mais ao Sul as de Mambaí. Lembrando que Goiás abriga também os pontos mais altos do Planalto Central nas regiões de Alto Paraíso, Pirenópolis e Cristalina. Pelo lado oriental bahiano tem-se não apenas cavernas como também a ressurgência de rios subterrâneos nas localidades São Desidério, Correntina e Bom Jesus da Lapa. Tão grandes são alguns destes sistemas espeleológicos que parte deles ainda não têm sido mapeados. Naturalmente algumas das cavernas mais profundas do Brasil também localizam-se nestas regiões (em Terra Ronca). As mais longas até agora descobertas situam-se porém em Campo Formoso, pouco acima da Chapada Diamantina, Bahia. E são nestas mesmas regiões -estendendo-se até a citada Chapada- que as cavernas têm sido já usadas em contextos políticos e policiais por jagunços e cangaçeiros em diferentes frentes de batalhas. Para não mencionar é claro os indígenas e os trogloditas do passado que fizeram amplo uso de muitos destes locais.

Hoje convivemos com a emergência de uma conhecida profecia agarthina: a batalha espiritual de Shambhala e a vinda dos povos de Agartha desde as suas regiões secretas para liderar a humanidade nos rumos de uma Nova Era. Embora o Brasil esteja distante das culturas de raiz tibetana, isto não afasta a ideia de que a espiritualidade esteja assinalando estas regiões do Ocidente para fazer emergir um novo momento da Civilização. Lembremos que décadas atrás chamamentos foram realizados na direção do Planalto Central brasileiro, e muitos atenderam a estes apelos na esteira da criação de Brasília. Acaso a região não terá contribuído para formar, desde então, lideranças capazes de orientar a nação na direção do seu futuro predestinado?


Imagens: Parque Estadual de Terra Ronca, mapa aproximado do Planalto Central e simulação de IA com cangaçeiros.


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Luís A. W. Salvi (LAWS) é estudioso dos Mistérios Antigos há mais de 50 anos. Especialista nas Filosofias do Tempo e no Esoterismo Prático, desenvolve trabalhos também nas áreas do Perenialismo, da Psicologia Profunda, da Antropologia Esotérica, da Sociologia Holística e outros. Tem publicado já dezenas de obras pelo Editorial Agartha, além de manter o Canal Agartha wTV.  



Rio Grande do Sul: dramas e glórias de uma geografia central

Muita gente pode estar considerando o Rio Grande do Sul hoje como um lugar especial de provações, pois tem sido declarado como a região mais vulnerável às mudanças climáticas do Brasil, e em consequência também do Continente. De fato não seria de espantar que as novas disfunções atmosféricas atingissem esta região com uma força toda especial, e também por razões que os estudos convencionais não costumam contemplar. 

Está certo que o Estado possua o maior espelho d’água do Brasil e conta-se entre os maiores da América Latina. O tema das águas está com efeito impresso na história do Rio Grande do Sul, já a partir do seu nome. As amplas lagoas dos litorais refletem esta situação, típicas de zonas de inundação, como águas represadas pelas areias movidas pelos intensos ventos oceânicos da região. A geografia do Estado é um retrato do embate milenar entre as força cósmicas que não permitem ser facilmente domesticadas. 

Mas tudo isto é apenas consequência do especial resultado do Efeito Coriolis na região, acarretando zonas de alta pressão atmosférica. Acontece que o RGS é cortado ao meio pelo paralelo 30, que é uma faixa central bem conhecida dos geógrafos e dos climatologistas, e que nós denominamos como “Mesosfério”. Ali se encontram as duas grandes correntes opostas geradas pelas derivas atmosféricas dos polos e do Equador, resultando em correntes marítimas intercontinentais, ventos fortes constantes e torvelinhos atmosféricos, incluindo os famosos ciclones sazonais do Sul dos Estados Unidos que periodicamente devastam cidades inteiras. No Sol o mesmo movimento é responsável pela eclosão das manchas solares.

Assim tudo isto é apenas consequência do especial resultado de uma condição central planetária, sujeita a correntes atmosféricas de potência única. Contudo -e naquilo que talvez seja o mais interessante de tudo-, é que nesta zona as quatro Estações são simetricamente equivalentes no ano, como uma perfeita mandala climática. Isto se agrega pois à centralização das duas grandes correntes atmosféricas, a polar e a equatorial. Alguém duvida que tudo isto tenha também importantes reflexos culturais -para além das decorrentes misturas raciais e fronteiras disputadas?!

Não seria por nada afinal que justamente nesta faixa foram edificadas as grandes pirâmides e os zigurates, erguidos o Apadana persa e o Potala tibetano, organizada a primeira universidade (que foi a de Taxila na Índia) e esculpidas as séries de moais na Ilha da Páscoa. Já se assinalou a região como berço da civilização e nascedouro dos avatares. Enfim talvez seja esta a maior zona da geografia sagrada planetária, simbolizada pelo venerado Monte Kailas do Tibet.

Impactos históricos

Certamente este é um Estado importante sob vários aspectos, e desde o ângulo econômico tem sido a quarta economia nacional há muitas décadas, perdendo apenas para os principais Estados do Sudeste. Hoje ainda se chama a esta região do Continente de “Sul”, o que deverá mudar contudo assim que formos capazes de descolonizar a nossa geografia e dar-nos conta do verdadeiro significado das direções cardeais. Sob certas perspectivas autócnes a zona pode ser considerada como central no Continente e também setentrional no país.

O grande impacto deste evento climático não foi humano, pois comparativamente com certas tragédias menos abruptas e agressivas algumas centenas de mortos numa região de 282 mil k2 (do tamanho do Equador ou do Marrocos) não é uma soma tão expressiva. Porém o significado cultural do acontecimento é imenso, até porque se mostra cada vez mais forte e recorrente.

É certo que se tratou de uma situação dantesca, digna de qualquer filme apocalíptico. Um terremoto é sempre algo localizado, porém esta enchente transtornou um território do tamanho de um país inteiro. Em termos locais os problemas ambientais também eram então no geral localizados, atingindo pequenas comunidades periféricas ou mesmo algumas poucas cidades. A exceção eram as queimadas do Pantanal e sobretudo as secas da Amazônia, que ainda assim parecia atingir regiões remotas e pouco habitadas. As enchentes de 2024 no Sul contudo impactaram o conjunto de uma região organizada com parques industriais, comércio pujante e produção agrícola essencial para o país. Isto significa que a escala dos problemas também está modificando - e é claro que não poderia ser diferente, porque as respostas da Natureza precisam acompanhar a própria escala das transformações que o ser humano também está fazendo na Natureza. Fatos assim atraem olhares preocupados de todo o planeta e obriga a levar a sério os acontecimentos. 

O Estado serviu assim como um verdadeiro laboratório do apocalipse, norteando ações futuras em outras regiões. O próprio governador do Estado chegou a declarar que este Estado teve esta provação porque a sua população estava preparada para en-frentá-la.

Um primeiro efeito local foi observado nas enquetes através de uma ampla adesão à percepção das mudanças climáticas, reduzindo assim substancialmente o fenômeno do negacionismo que vinha sendo até então observado. Mais ou menos nesta linha também se passou a observar maior união dentro da sociedade nacional até então muito dividida, tendo o exemplo dos políticos, que também reviram as suas posturas divisionistas, com uma referência para a população, num quadro que atrai naturalmente também o apoio internacional. O desencadeamento de uma grande onda de solidariedade desta magnitude pode mudar -ou despertar- uma nação para aquilo que realmente importa.

Mais uma vez confirma-se assim a importância do sacrifício na evolução da consciência coletiva, e o fato de envolver o Mesosfério nisto é também inteiramente natural por se tratar da energia de Shambhala. A crise ambiental do RGS apenas dramatiza uma tendência planetária já em curso. Os profetas destas gerações anteciparam o dilúvio futuro, mas não souberam prever o caos dos elementos que antecede a esta condição final. A enchente intermitente também é uma forma de dilúvio, pois torna praticamente inabitáveis grandes áreas, tal como arriscada a agricultura ostensiva. Contudo alguns ainda tentarão adaptar-se -entre outras soluções- na forma da vida ribeirinha através de barcos e de palafitas, como é comum na Amazônia e na própria Índia, cujas monções sazonais também atingem latitudes análogas. As monções são consideradas vitais para a fertilidade de todo o sul asiático, e o futuro demonstrará o papel que as chuvas terão no sul brasileiro no tempo de temperaturas crescentes que já vivemos. 

 É até possível enfim que outras regiões não cheguem a sofrer tanto como esta no futuro, de todo modo ela seguirá sendo altiva, atrativa e atuará como escola para forjar cidadãos conscientes, resilientes e participativos.

Naturalmente onde há luz também existe trevas. Alguém acreditaria hoje que o Rio Grande do Sul tem um rico histórico ambientalista?! Gaúchos que desmatam e queimam a Amazônia, o Cerrado e o Pantanal desequilibram o clima de todo o país e sua terra agora colhe as consequências. O carma existe. E o Brasil todo é a próxima vítima.

Diante de tudo isto apenas se chega a uma conclusão e em decorrência a uma grande indagação. A conclusão é: trata-se com certeza de uma antecipação do Apocalipse. E a pergunta que surge é: a Civilização resistirá?


* Sobre o Autor:

Luís A. W. Salvi é estudioso dos Mistérios Antigos há mais de 40 anos. Especialista nas Filosofias do Tempo tradicionais, publicou a Revista Órion de Ciência Astrológica pela FEEU e dezenas de obras pelo Editorial Agartha. Nos últimos doze anos vem redirecionando os seus conhecimentos para a Teosofia, realizando uma exegese ampla da Doutrina Secreta e também das Estâncias de Dzyan.

Shambhala, a Invisível

“Existem cidades sutis em Shamballa?”, pergunta-se. O próprio conceito de Shambhala é sutil, "inacessível ao despreparados" segundo os mais importantes informantes. Com efeito “invisível”, “inacessível” e “inconquistável” são atributos comumente emprestados à Shambhala.

Vejamos pois o seguinte. A “cidade” representa o grande modelo cultural aryo, cuja presença nos mitos e profecias é recorrente. E a natureza da cultura arya é aristocrática e não “meramente” religiosa, relativa assim à uma ordem social. Todo verdadeiro nobre de espírito está interessado em exaltar a dignidade humana em si e no outro, e na verdade mal vê diferença entre si mesmo e o próximo. De alguma forma ele já incorporou  os valores sociais da religião seja por auto-cultivo ou por carma positivo acumulado de outras vidas. Quantas pessoas porém podemos contar que apresentam este comportamento?! Tais indivíduos são acaso valorizadas em nossa sociedade? Alguém pensa em dar poder para as criaturas realmente generosas neste mundo? Talvez elas nem o procurem, como seria natural, mas isto não significa que não o mereçam. E se acaso aspirassem pelo poder dificilmente teriam verdadeiro sucesso em seus propósitos.

Shambhala significa dizer ademais que o verdadeiro coração da cidade não é o templo e sim o Palácio, que representa uma instância de poder. No entanto o poder em questão é acima de tudo espiritual, expresso por exemplo nas palavras “o nosso poder é sacrifício” do Mestre Morya, do Primeiro Raio descrito como “Vontade-e-Poder”, segundo a porta-voz Helena Roerich. Jesus profere algo semelhante ao dizer que “o melhor dentre vós será o maior servidor”.

Ao falar de um poder sutil estamos nos referindo à iniciação espiritual, diferente da mística comum. Tal coisa demanda o universo da meditação acima da devoção, e do conhecimento acima da crença. O chakra da terceira iniciação associada à nobreza espiritual é Manipura ou “Cidade das Jóias”, a jóia da mente iluminada. E com isto já chegamos no coração do nosso problema.

Na obra “O Caminho para Shambhala” escrita no século XVIII pelo Sexto Panchen Lama, Shambhala é descrita de três formas: um local físico, um mito geográfico e um caminho espiritual. Ora, quantos há que realmente valorizam as coisas da iniciação?! Muito se fala e reveste o assunto de pompa e circunstância, solenidades e palavras altissonantes. Porém na prática raros se dedicam à questão com verdadeira ciência de causa. Com efeito mesmo entre aqueles que meditam os verdadeiros conhecimentos das técnicas e dos objetivos são apenas medianos e insuficientes para se alcançar a verdadeira liberação da consciência (moksha), que dizer então do Nirvana, a iluminação real?! 

Ademais o mesmo podemos dizer em relação aos grandes Mensageiros da iniciação espiritual, pertencentes a um mundo paralelo a este, inclusive restritos amiúde em sua expressão física em função das elevadas provações a que se encontram sujeitos, manejando tempos e energias do alto das suas Câmaras de Iniciação ou Merkabahs. “Ali onde estão os Mestres, ali também estará Agartha”, escreveu Serge Raynaud de La Ferrière. Agartha é um sinônimo ou uma “sucursal” de Shambhala.


“A Canção de Shambhala”, por Nicholas Roerich

A principal razão pela qual Shambhala é invisível para as pessoas é porque os Mestres tampouco são perceptíveis para elas. A humanidade precisa ser educada para tratar com os Mestres, cuja humildade e sacrifícios muitas vezes os faz invisíveis às pessoas. A grandeza de um Mestre não se manifesta apenas na sua aparência mas sim na somatória das suas realizações, em sua experiência acumulada, no seu conhecimento reunido e em sua sabedoria prática. Shambhala é o lar da Hierarquia. “Quando o discípulo está preparado o Mestre aparece” -e Shambhala também. O caminho para Shambhala é o verdadeiro despertar do coração.

Comumente acusado de pretender criar uma nova monarquia e até tentado a fazê-lo, Jesus precisou declarar “alto e bom som” que “o meu reino não é deste mundo”. Tudo o que diz respeito à Sociologia do Sagrado está uma oitava acima, desde as suas estratégias até os seus objetivos. Jesus de fato colocou em ação algumas destas metodologias, tal como Moisés também o fizera antes, assim como o Buda e todos os outros grandes profetas.

Nesta altura alguém poderia com justiça contestar indagando; “-Ora mas com isto parece que estamos falando é de religião e não de política.” Ao que respondemos: “É verdade, mas não apenas isto.” Como a cultura é cumulativa a religião -e como bem professam os perenialistas- também está dentro da iniciação. Porém a verdadeira iniciação está intimamente ligada a uma reforma no modus vivendi tendo em vista a mudança de qualidade não apenas da consciência como também da energia. E então perguntamos novamente: “-Quantos estão preparados também para dar este passo?” Não estamos falando de retiros de finais-de-semana e nem de uma aposentadoria espiritualizada, e sim de priorizar seriamente a vida espiritual e a ela consagrar-se. 

Acontece que uma Sociedade perfeita representa apenas uma espécie de socialização dos caminhos individuais da iniciação. Esta contudo tampouco se limita somente à vida monástica, a qual serve apenas de base para a libertação da consciência e uma atuação espiritualmente desimpedida no mundo, por assim dizer. Esta é pois uma das grandes conquistas dos Caminhos de Shambhala, que é o auto-empoderamento. 

E com isto listamos pelo menos quatro realidades intimamente ligadas à Shambhala nas formas da postura social, das práticas espirituais, dos Modelos viventes e do estilo de vida. Todas elas certamente refinadas e seletivas. Mas aquele que porventura tiver sucesso em avançar nestes caminhos certamente ouvirá a seu tempo os eloquentes Sinais de Shambhala.


* Sobre o Autor:

Luís A. W. Salvi é estudioso dos Mistérios Antigos há mais de 40 anos. Especialista nas Filosofias do Tempo tradicionais, publicou a Revista Órion de Ciência Astrológica pela FEEU e dezenas de obras pelo Editorial Agartha. Nos últimos doze anos vem redirecionando os seus conhecimentos para a Teosofia, realizando uma exegese ampla da Doutrina Secreta e também das Estâncias de Dzyan.

O Hemisfério Sul precisa ser rebatizado!



Eis que todo o Hemisfério Sul do planeta foi nomeado em função de simples toponímias geográficas, e ainda tendo sempre o Norte por referência, sem nada de próprio ou original. 
Eis uma pauta, portanto, a ser incorporada por todos os Movimentos Meridionalistas que se prezem. Afinal, permanece crítica a situação de dependência deste Hemisfério em relação ao Norte, e a renomeação das terras austrais pode sinalizar um movimento de emancipação. Senão, vejamos. 

A América “do Sul” é quase um apêndice (também dito “subcontinente”) na História original da América “do Norte”, onde os estadunidenses também são soberbamente chamados de “norte-americanos” e o seu país de “América” mundo afora...

“Austrália” significa meramente “o Continente do Sul”, por estar exclusivamente no Hemisfério Meridional ou Austral do planeta.
E “Antártica” designa apenas o anti-Ártico, à maneira dos caricatos (e monstruosos) “Antípodas” que povoariam este Hemisfério no imaginário dos antigos europeus (tal como ilustram esta matéria).

E nem falemos das lendas da Terra Plana, cujas origens possuem ilações cosmológicas, sendo daí tema para uma outra ocasião,

Não obstante, o Hemisfério Austral possui grande importância (pese o seu número diminuto de terras), em todos os “três cosmos”. Vejamos, então: 

No Macrocosmo, é nele que situa-se o Polo Magnético do planeta -embora a bússola ocidental se valha disto para localizar o seu Norte setentrional, diferente do que faziam os chineses que a inventaram.

No Mesocosmo, a Civilização tinha no Peru tanta antiguidade quanto a da Mesopotâmia ou Egito.

Caral, Peru
E no Microcosmo, foi nele também que surgiu o próprio homo sapiens, na “África Austral”.

E sabe-se lá, enfim, quanta coisa mais no passado, no presente e no futuro...

Luís A. W. Salvi é filósofo holístico e autor polígrafo com cerca de 140 obras, e na última década vem se dedicando especialmente à organização da "Sociologia do Novo Mundo" voltada para a construção sócio-cultural das Américas.

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